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O Café que o Diabo Passou

Summary:

F!Scott e F!Febatista são universitários tentando viver o dia a dia com o máximo de paz possível. Ambos solitários de formas diferentes até o dia que se conhecem na cafeteria onde F!Scott trabalha e acabam se dando muito bem, mas por algum motivo, não parece ser a primeira vez que eles se encontram...

 

(Na fanfic em si não vai ter o "F!", eu só coloquei aqui pra não acharem que é fanfic dos streamers)

Notes:

Não acredito que o que me fez realmente escrever isso depois de 3 anos foi uma piadinha que me rendeu 50 reais... enfim, boa leitura.

 

(se algum dos CC ou o Orion virem isso: não vocês não viram)

(See the end of the work for more notes.)

Chapter 1: Viver o dia a dia tem sido difícil

Chapter Text

Crianças não costumam entender os assuntos dos mais velhos, e nem sempre por ser difícil de explicar ou apenas “ser assunto de adulto” mas mais pelo fato de que “caramba, adultos são muito, muito CHATOS”. E com certeza, quando suas opções estão divididas entre brincar por aí despreocupados e se importar com coisas que ainda não entendem ou não precisam ainda entender, não é preciso pensar muito pra fazer uma escolha.

  Porém, nem todas as crianças têm o luxo dos “problemas de adultos” não as afetarem diretamente, e cada uma vai acabar lidando com isso de formas diferentes, algumas ignorando o máximo possível e outras tentando intervir. 

  Independentemente, é consenso entre todas pessoas com o mínimo de decência o fato de que, ao mesmo tempo que não se deve tratar crianças como estúpidas, é importante tentar preservar a infância acima de tudo. Até porque, tudo que se passa na infância caminha com você pelo resto da vida.

 

 

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Scott acordou no meio da madrugada, de novo, e fez o que normalmente faz quando tem esse tipo de sonho e foi checar seu irmão, que estava dormindo pacificamente e inafetado como sempre. Voltou então para o seu quarto e, depois de tentar se revirar várias vezes para pegar no sono novamente, decidiu desistir e levantar para começar o dia. De qualquer forma, o que são 4 horas sem fazer nada até o horário de bater ponto?  

 Aproveitando o tempo “extra” (e a insônia, ansiedade e paranoia) resolveu revisar alguns trabalhos da faculdade, organizar um pouco o quarto (com o mínimo de barulho possível)e  separar uma roupa para usar no dia. Arrumou a mochila e checou as horas:

 

4:30

 

É, o tempo não estava passando, melhor tomar banho, comer e aceitar que iria passar o dia todo a 2 passos de desmaiar. Nada muito fora da sua rotina na verdade, mas quem precisa de remédios e terapia né?! 

 

(Ele, com certeza ele precisa)

 

 Mas ele já se sentia culpado por tudo que seu pai adotivo havia feito por ele, ajudando na sua transição e dando um emprego não muito irritante a ele, não queria adicionar ainda mais com esses gastos (mesmo que o próprio tenha insistido que ele deveria sim fazer terapia e que os supostos gastos não seriam incomodo nenhum). Ele não é muito bom em expressar isso em voz alta, mas é muito grato pelo o que “Carras” fez por ele e seu irmão desde que eram pequenos (ou no caso, bem menores).

  Falando no pai (não que ele tivesse coragem de chamar ele assim em voz alta também) o avistou quando entrou na cozinha, lá pelas 5:00 da manhã.

  “Bom dia, acordou cedo hoje! ansioso pelo começo da semana?” disse o mais velho enquanto colocava água para esquentar e pegava duas canecas.

  “Ansioso eu sempre tô com alguma coisa, nada muito novo, eu acho” respondeu Scott, dando uma risadinha de nervoso enquanto ajudava a preparar a mesa para o café da manhã. “E você? Não trabalha até mais tarde, a gente já falou que cê devia aproveitar pra descansar de manhã, véio!”.

  Carras virou em direção a Scott “primeiramente: ‘véio’ é tua vó,” disse ele enquanto bagunçava o cabelo do filho “e segundamente, se preocupa mais com você mesmo, cabeçudo! Faz quanto tempo desde a última vez que tu conseguiu dormir mais de 4 horas por noite?”.

  Scott resmungou e decidiu aceitar a derrota, tirando a chaleira do fogo e começando a passar o café. 

 “Eu não entendo como cê consegue tomar isso depois de passar a manhã toda fazendo café, eu já não consigo nem sentir o cheiro mais!” Scott serviu duas canecas, uma com apenas água quente e outra com um pouco do café que descia do filtro,  e respondeu “nem todo mundo tem 100000 anos e trabalhou 500 deles em cafeteria, careca.” Carras riu da resposta do filho enquanto preparava seu chá “EU NÃO TENHO NEM 50!” Scott disfarçou um pouco a risada que tentava escapar enquanto sentava na cadeira do lado do pai “claro, claro… Vovô”. 

  Enquanto Carras pensava em uma resposta a altura, Abaddon surgiu (aparentemente do nada) no corredor e perguntou “que barulheira é essa.” assustando os dois e quase derrubando Carrasqueira da cadeira “bom dia pra você também, quase matou o véio com essa cara de assombração”.

  Abaddon ficou ali parado por uns segundos e respondeu “ a gente tem praticamente a mesma cara.” Carras, se recuperando do susto, ficou apenas escutando a conversa entre os dois, enquanto bebia seu chá.  “A minha é mais bonitinha. Quer chá ou café?” Abaddon bocejou, praticamente sem mudar a expressão facial “banho.” 




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No outro lado da cidade, em um apartamento não tão grande e não tão cheio, Fê (ou Febatista, ou Felipe, muitos apelidos para alguém com tão poucos amigos) acordava desesperado achando que estava atrasado para a aula, se arrumou correndo até realmente checar o celular e perceber que ainda faltava mais de 1 hora, e considerando que ele morava em um dos apartamentos do campus, não demoraria tanto assim pra chegar. 

 Um pouco mais calmo, terminou de se vestir e arrumou sua bolsa, deu comida para Valmir (seu jabuti de estimação) e checou seu armário procurando café e algo para comer. Depois de revirar a pequena cozinha do avesso, concluiu “... Eu esqueci de ir no mercado ontem… Bom, melhor aproveitar agora e fazer uma lista pra ir depois da aula!”. Com uma caneta que achou em cima da mesa mesmo e um pequeno caderno de anotações que tinha na mochila, foi checando pela casa o que precisaria comprar.

  Depois de terminar a lista não muito extensa, deu tchau a Valmir, pegou sua bicicleta do lado da porta e fechou a casa. Porém, assim que começou a pedalar sentiu sua barriga roncando e parou de repente, olhando em volta envergonhado se perguntando se alguém perto tinha escutado “melhor eu passar em algum lugar antes pra comer” pensou enquanto voltava a pedalar, olhando em volta e considerando suas opções.

  Ele não costumava sair muito de casa, não necessariamente por opção, afinal o seu primeiro ano letivo tinha começado a pouco tempo e ainda não tinha feito muitos amigos (nenhum realmente amigo o suficiente para cogitar sair junto para algum lugar) e também não costumava frequentar muitas cafeterias, pelo mesmo motivo mas também porque seus pais insistiam em mandar dinheiro pra comida mensalmente (mesmo que ele insistisse que poderia muito bem se virar, mas de certa forma era a condição que eles o deram para que finalmente pudesse se mudar sem eles se preocuparem o tempo todo) Mas sempre esteve curioso em ir em alguma das que se localizavam dentro do próprio campus.

 Em uma em específico na verdade.

Crescendo em um lar de pais religiosos e superprotetores, ele não teve muitas oportunidades de explorar os próprios gostos ou descobrir interesses novos. Não o entenda mal, ele ama os próprios pais, sabe que eles são bem intencionados e melhoraram bastante ao longo dos anos, mas ele também tem consciência de que, se não tivesse “ido embora” o quanto antes, não poderia viver sua própria vida livremente.

  E, provavelmente, muitos de seus gostos não seriam considerados muito “Sacros”. Por exemplo, ele sempre gostou muito de filmes e jogos de terror, mas nunca pode ter muito acesso a esse tipo de mídia pois os pais consideravam “coisa do diabo” então seus únicos contatos com ela era através de amigos na infância ou agora, na faculdade, com seu próprio computador, e de vez em quando, no cinema local.

 Então, provavelmente por isso, que essa cafeteria em específico chamava tanto sua atenção (e provavelmente por outro motivo, que ele ainda não sabe, mas que com certeza é uma parte de sua identidade que sua família não aprovaria de mente aberta).

 “Bom, eu tô morrendo de fome e sempre quis vir aqui, por que não né?” disse a si mesmo, mas continuou imóvel em cima da bicicleta, nervoso (interagir socialmente depois de passar a maior parte da vida trancado em casa e na igreja é muito difícil tá bom?) “... Será que eu ainda sei falar com seres humanos…” resmungou, ainda na bicicleta, olhando para baixo, provavelmente sendo julgado por pedestres desconhecidos.

  Respirando fundo, ele colocou a bicicleta no pequeno suporte que havia em frente a cafeteria e acorrentou a bicicleta e fechou com um cadeado que guardava na sua mochila (aprendeu a lição depois de ter sido roubado pela primeira vez, longa história) e entrou.