Work Text:
A primeira vez que Danny foi observar as estrelas fora da cidade depois do Acidente, ele ficou deslumbrado. Sim, essa era a palavra exata.
Olhos de fantasma conseguiam se dilatar muito mais no escuro do que os de um humano, e eram capazes de detectar uma infinidade de novos tons na escuridão. Longe das luzes de Amity Park, Danny finalmente conseguia enxergar. Ele conseguia ver tanta coisa. Podia ver o mar de estrelas, notar o rastro da Via Láctea e as cores dos planetas. Ele conseguia ver Urano. Nunca tinha sido capaz de ver Urano a olho nu antes.
Puxou seu mapa estelar com as mãos trêmulas. Ele conseguia ver Plutão. Aquilo era Plutão.
Caramba, aquilo era incrível, tudo aquilo era incrível. Danny nunca tinha sequer imaginado...
A respiração travou na garganta. Se ele conseguia ver Plutão, o que mais seria capaz de enxergar? Existiam coisas visíveis a olho nu que estavam muito mais distantes. E seus olhos nem tinham se acostumado totalmente com a escuridão ainda.
Ele assumiu a forma fantasma e flutuou para cima, os olhos varrendo o horizonte. Estava procurando por algo que mal havia despontado no céu.
Lá estava.
Andrômeda.
Maior do que a lua, pálida e enevoada em comparação a todas as estrelas, mas tão brilhante. Tão linda, tão colorida.
Outras galáxias, ainda mais distantes, foram entrando em foco à medida que seus olhos se acostumavam com o escuro. Entre elas e as estrelas, era como se o céu tivesse sido cravejado de joias. Não, essa era uma descrição fraca demais. O firmamento estava cheio do fogo de milhares e milhares de cores. Luz e glória que mal podiam ser contidas.
Ele perdeu a noção do tempo enquanto observava o universo girar sobre sua cabeça. A única coisa que o mantinha ancorado na realidade era a garrafa térmica, segurada frouxamente em suas mãos. Mais cedo, ele estava com raiva do fantasma que o atraíra até ali, que o forçara a uma perseguição de uma hora inteira, mas agora sentia-se em paz. Tranquilo. Era difícil sentir qualquer outra coisa diante daquilo.
Havia uma parte dele que queria voar alto, perder-se lá em cima, entre as estrelas, planetas e galáxias. Havia outra que queria voltar para casa. Entre as duas, Danny estava mais do que satisfeito em apenas flutuar, suspenso.
Ele não percebeu os padrões que surgiam pela superfície de seu traje: estrelas contra o preto, faixas de poeira cósmica e nebulosas rodopiando por suas botas, cinto e luvas brancas. Pontos mais brilhantes queimavam em seus cabelos e, para qualquer um que não fosse ele mesmo, seus olhos cintilavam como sóis.
Ele não foi embora até ver o rubor do amanhecer no leste e ser obrigado a voar de volta para casa.
