Work Text:
Se eu vou na Mangueira, ela vai. Se eu vou na Portela, ela está. Ela vai no Cacique de Ramos, ela vai no Estácio de Sá, ela vai no pagode em Xerém, ela vai no pagode em Irajá.
Em todo lugar onde Van chega, logo depois ela chega também. Ela encara olha com jeito de quem quer carinho, Van até pensa sozinha “será que ela quer ser meu bem?”
A morena é alta, tem pernas longas, se ela quisesse com certeza alcançaria o Cristo Redentor só de ficar na ponta do pé. Usa um decote que destaca o coração descansando por trás dos peitos, com certeza a Van tá pensando no coração dela.
Os cachos então nem se fala. Às vezes eles escondem o rosto dela, depende da direção que o vento faz os fios voarem. Uma vez, Van até conseguiu sentir o cheiro do perfume do cabelo dela e desde então ela tem pensado sobre isso. Parecia ser água de coco.
Qualquer dia agora ela vai juntar coragem o suficiente para falar com a morena. Pelo menos foi isso que Van prometeu uma semanas atrás para Natalie, que estava pressionando ela para ser mais incisiva.
— Vai ficar só encarando pro resto da vida? Te mexe, Van. — Natalie tentou motivar a ruiva a tomar uma atitude.
Geralmente, Van era direta, sem rodeios, se avistava uma mulher bonita com carinha de quem queria se divertir, logo logo a Van sussurrava palavras mágicas no ouvido dela. E sempre funcionava. Ainda funciona.
Mas essa morena é diferente, ela está mudando o jeito de ser da Van sem nem ter tentado ainda. Não é nervosismo, nem insegurança. O problema é que Van tem certeza que a morena não é como as outras mulheres que ela já pegou, essa daí é diferente.
Especial? Não sei, não dá pra afirmar ainda. Mas Van já tem certeza que a morena vai perdurar.
Não espalhe por aí, mas a ruiva já planejou até o jeito que vai pedir ela em namoro. Sonhar acordada é um dos passatempos favoritos de Van e rapidinho a cacheada se tornou o par romântico principal das suas fantasias.
— Só to dizendo que você não sabe quando vai encontrar ela de novo, devia ir lá trocar uma ideia logo antes que ela suma de vez. — Nat continuou argumentando e ela tinha total razão.
Todas as vezes que Van viu a morena, foi ao acaso, a sorte parecia estar ao lado dela.
Um samba após o outro e lá estava ela. Sempre com o mesmo par de amigas a rodeando, as três sambando em sincronia na sua própria rodinha, nenhuma delas fazendo esforço para interagir com o resto do rolê. Van acha elas um pouco intimidadoras, talvez até fechadas.
Mas o riso da morena era contagiante. Os lábios carnudos, o gloss sempre brilhando, um olho castanho grande, mas que estava sempre fechadinho parecendo duas luas crescentes toda vez que ela ri. E como ela ri!
Ô menina do riso frouxo, Van quer desesperadamente ser a razão dessas gargalhadas.
O jeito que ela samba é hipnotizante, a saia curta o suficiente para destacar o movimento do quadril. Os braços dela fazem uma coreografia própria. Assim, como o cabelo, balançando de acordo com a melodia e atraindo vários olhares no meio tempo. O brilho das argolas de ouro é a cereja do bolo.
Foi logo depois do Ano Novo que Van viu ela pela primeira vez. O coração errou as batidas, a mão até suou e nem foi pelos 30º graus que estava fazendo. Quem é ela? Foi o primeiro pensamento da ruiva.
Agora falta uma semana pro Carnaval e Van segue pensando nela todos os dias desde então.
Mas a Nat ta certa, Van tem que agir. É melhor receber uma possível rejeição e ficar normal a tempo de aproveitar o Carnaval, do que continuar fissurada nessa única mulher. Van não vai conseguir pegar ninguém se ela for comparar qualquer pessoa com a morena, todo mundo vai ser desbancado na hora.
Vai Van Palmer, se mexe! Pelo bem do teu Carnaval é agora ou nunca.
Curta pausa só pra terminar o copo de Original, um pouco de coragem líquida nunca matou ninguém, né?
— Me deseja sorte, Nat. — Van dá uma piscadinha pra amiga dela que apenas responde com uma leve risadinha e um olhar encorajador.
Porém, quando Van vira a atenção pro cantinho que a morena estava há um minuto atrás ela não encontra mais aqueles os cachinhos que ela já aprendeu a reconhecer até mesmo de longe.
— Onde que ela se enfiou? — Van só percebe que falou em voz alta o que estava pensando quando a Nat responde que também não está vendo mais ela.
— Bom, eu vou pegar mais uma cerveja, boa sorte aí procurando tua donzela. — E rápido assim, a amiga sai de cena.
Van está com as duas mãos nos bolsos da bermuda, o olhar indo de um canto pra outro, ela queria não parecer tão desesperada, mas é frustrante demais justo no momento que ela resolve tomar uma atitude ela perde a chance? Que tipo de filme é esse.
A música soa cada vez mais alto, “Mini Saia” da Ludmilla sendo a trilha sonora do momento. Tá calor óbvio, é sempre quente em fevereiro, mas pelo menos hoje tem uma briza gostosa no ar e Van dá graças a deus quando sente o vento tocando na sua pele. Pelo menos um pouco de alívio em meio a tanta frustração.
— Qual seu nome? — Van escuta um sotaque mineiro vindo de trás e quando ela gira os pézinhos pra encarar a quem pertence a voz, ela vê. É ELA.
A morena alta em toda sua glória está sorrindo para Van e ativamente iniciando uma conversa com ela. Infelizmente, não dá pra fingir costume, a boca da Van se enche de saliva rapidinho com a visão do rosto dela tão perto assim. De algum jeito essa mulher ficou ainda mais linda e ela é tão cheirosa.
O cérebro da Van trabalha extra tentando assimilar todos os detalhes da morena, ao mesmo tempo que tenta identificar que cheiro é esse. Qual perfume será que ela usa? Ou será que vem do cabelo? Tem um copo de caipirinha na mão dela, mas dali não sai perfume nenhum.
Misericórdia, Van está se sentindo super estimulada já.
E aí ela nota o colar no pescoço dela, “Taissa” escrito em ouro. É assim que se chama a mulher mais bonita que já pisou no Rio de Janeiro? Van tem que segurar para não ler a palavra escrita no colar em voz alta.
— Eu falei qual seu nome? — Ela repete, dando um passo a frente para chegar mais perto da orelha da Van, o sorriso charmoso segue ali no rosto dela.
Fala alguma coisa Van Palmer!
— É Van! Pode me chamar de Van. — Pobrezinha, ela soou mais nervosa do que queria. Van dá uma limpada na garganta, tentando se recompor pelo menos um pouco. — E você é quem? — Van tenta soar casual.
— Taissa.
— Taissa. — Van repete, testando as palavras nos seus lábios e soa delicioso. — Eu estava agorinha indo te procurar, acredita?
— Ah é? Pelo visto te venci nessa rodada então. — Ela com certeza tá flertando com a Van, né? Né? A resposta precisa ser sim, pelo bem estar mental da ruiva, tem que ser sim.
— Tranquilo para mim perder para mulher bonita assim. — Van consegue sentir arrepios já na sua coluna.
— Ah, então cê acha me acha bonita? — Taissa finge ta surpresa, ela até joga os cachos para trás da orelha. Deus tenha piedade de Van, essa noite só melhora.
— Certeza que você deve achar algo parecido sobre mim, já te vi me encarando algumas vezes por aí… — De novo, Van mira na casualidade.
— Uai e porque não veio falar comigo, mulher? — Taissa quase soa de fato ofendida que a interação delas demorou tanto para acontecer.
— Se eu disser que estava tentando criar coragem, você acredita? — Van fala honestamente.
— Precisa de coragem, não, eu juro que sou mansinha. — O sorriso de canto da Taissa é coisa de outro mundo.
— Vou ter que acreditar em você, hein. — O olhar da Van é tesão puro, ela não consegue nem disfarçar.
— Cê não quer ir lá fora comigo? Tô precisando de outra caipirinha. — A sugestão é válida, mas a Van já tem certeza que elas vão fazer qualquer coisa, menos comprar outra bebida.
— Bora. — Com o coração errando as batidas, Van pega na mão da Taissa e guia ela para a saída. Pedindo licença para as pessoas curtindo a roda de samba e liberando o caminho para ninguém encostar na morena.
Antes mesmo de chegarem na barraca da caipirinha, Taissa aperta a mão da Van mais forte e guia ela pra parede na lateral do lado de fora do bar.
— Mulher de atitude. — Van não consegue conter a risadinha quando ela se encontra prensada entre a parede e a Taissa. Prensada talvez seja forte demais, Taissa ainda está a um passo de distância, não é perto o suficiente para Van sentir a respiração dela. Mas elas continuam de mãos dadas.
E Van está altamente consciente de como a pele da Taissa é macia e como a mão dela está gelada, mesmo diante de tanto calor que faz. Van percebe que está muito presente na cena atual quando ela repara até no esmalte na unha da Taissa e nos dois anéis delicados que ela usa nos dedos.
— Que foi? Não era nisso que você estava pensando? — Parece até um desafio quando as palavras saem da boca da Taissa.
— Eu tive tempo de pensar em muita coisa, sabe… — Van encara aqueles olhos marrons com intenção. — Todo samba que eu aparecia, logo ali você estava. Tem gente que chama de destino, sabia?
— Mentira que cê é romântica? Para muitos isso soa só como coincidência, olha o tanto de gente que vai nestes sambas… — Taissa rebate, mas Van consegue ver na expressão dela que ela quer mais disso.
— Sei não, do jeito que você me olhava, — Van tenta falar, mas é interrompida.
— Que jeito? — Taissa finge inocência, piscando o olhinho rapidinho.
A ruiva toma coragem necessária e coloca levemente a mão no pescoço da Taissa, só descansando a palma ali. Sem pressão ainda, é um teste. E graças a deus, Taissa respondeu positivamente. Van repara direitinho o momento exato em que a Taissa lambe o lábio inferior, é um movimento sútil, rápido, mas Van está focada totalmente em todas microexpressões da morena.
— Como se tivesse procurando algo em mim. Eu bem sei, porque estava te olhando do mesmo jeito. — Van faz o famoso movimento de encarar os lábios da Taissa por um segundo muito longo e em seguida volta a atenção para os olhos dela.
— Eu gosto do jeito que cê fala as coisas. — Taissa diz honestamente, em meio a um sorriso leve.
— Olha, tem tanta coisa mais que eu posso te dizer. — Van oferece, enquanto o dedão dela faz um carinho leve no pescoço da Taissa.
O próximo movimento da morena é sútil, mas parece que a cena se passa em câmera lenta na mente de Van.
Taissa acena só um pouquinho, mal é um movimento, mas Van entende o recado e no próximo instante ela inclina a cabeça em direção a morena. Não é o suficiente para os lábios se encostarem, os narizes fazem o primeiro contato e já é o bastante para Van sentir um frio na barriga.
É a Taissa que fecha o negócio e movimenta os lábios em direção aos de Van.
O beijo é gostoso, é óbvio que ia ser, não tinha como ser diferente se tratando de uma mulher tão linda. A primeira coisa que Van presta atenção é na maciez dos lábios carnudos diante dos dela, Van passa a língua sob o lábio inferior da Taissa e tem que se segurar para não chupar. Tá cedo demais para isso, calma aí, Palmer.
Taissa tem gosto de hidratante labial de morango e caipirinha de limão. Van acaba de descobrir sua combinação favorita de sabores.
O beijo que começou lento e tentativo, rapidamente se torna excitante. A mão da Van aplica mais pressão sob o pescoço da Tai, movendo até a ponta dos dedos dela alcançarem a nuca da cacheada. E é bem bom.
Ambas as mãos da Taissa se grudam nos braços da Van, apreciando os músculos que estão por ali. A sensação térmica fica quente e as duas só se separam quando não dá mais para ignorar a necessidade de respirar fundo de novo.
Taissa tem os dois braços em volta do pescoço da Van e um sorriso bobo no rosto. Os lábios da ruiva já estão mais pigmentados que o normal. Elas só se encaram por alguns segundos, permitindo que o ar chegue em seus pulmões mas logo estão se agarrando de novo.
O segundo beijo é ainda melhor que o primeiro, mais molhado, mais íntimo. Van já está convencida que Taissa é a mulher da vida dela.
Elas se esforçam para manter a compostura, os beijos são calorosos claro, mas as mãos tão comportadas, cientes de que elas estão em público e por mais que elas queiram mergulhar uma dentro da outra, ambas são adultas já e não mais idade para ficar se esfregando no meio do role.
— Meu deus, eu amo essa música! — Taissa quebra o beijo de forma abrupta, o corpo continua colado na Van, mas ela inclina a cabeça para trás para permitir que a música invada sua cabeça.
Ela é tão linda.
Van admira cada canto do rosto da Taissa, tudo nela é impecável.
— Ah, mas é claro que sim… — Van ri quando ela se dá conta de qual música a roda de samba está tocando: Burguesinha do Seu Jorge.
Van viu a morena de longe algumas poucas vezes, mas ela pode afirmar que Taissa é uma patricinha de marca maior. E sinceramente? Que continue assim. Van está disposta a fazer de tudo para mimar Taissa de todos os jeitos possíveis.
— Quer entrar? Dançar coladinha? — Van sugere, com ambas as palmas tocando na cintura da morena.
Taissa apenas abre o maior sorriso e acena a cabeça várias vezes, parece que ela gostou da ideia.
Ambas mulheres voltam a dar atenção à roda de samba, mas agora de um jeito muito mais gostoso. Uma música após a outra invade o corpo da Taissa e a experiência só melhora com o corpo de Van grudadinho no seu.
A ruiva não tem metade do molejo da Taissa, mas ainda dá para o gasto. Ela compensa tudo com seu carisma.
No meio da multidão elas trocam apenas um selinho ou outro, mas Van aproveita quando está abraçando a Taissa por trás para dar um chamego gostoso no pescoço dela. É o melhor cheiro do mundo. Van acha que nunca se divertiu tanto numa roda de samba antes.
Ela levanta o olhar rapidinho, ainda com os braços agarrados em volta da Taissa, os quadris se movendo no mesmo ritmo e só resta a Van soltar um riso genuíno quando ela encontra o rosto da Natalie encarando elas à distância.
A loira levanta os dois dedões em sinal de positivo e dá uma piscada de olho exagerada. Fofa, chega a dar vergonha, mas é o jeitinho dela de mostrar apoio.
Chutou pro gol, Van. Ela consegue quase ouvir a voz da Natalie da cabeça dela.
Taissa dá meia volta, agora virando seu rostinho lindo para encarar a Van e é possível ver dentro do olho dela toda intenção que mora ali.
— E se a gente for para outro lugar? — Ela sugere, nada inocente.
Não demora muito para elas estarem a caminho do apartamento da Taissa, que fica a duas quadras do bar. Durante todo o caminho Van vai segurando a mão da morena e pensando em todos os jeitos que ela vai beijar hoje a noite.
Quando elas entram no condomínio, Van solta um assobio sincero. Ela imaginava que Taissa tinha dinheiro, mas não tanto.
— Você mora aqui com quem? — A curiosidade da Van fala mais alto, elas ainda estão no elevador.
— É o apartamento dos meus país, a gente nem mora aqui no resto do ano. — Taissa responde sinceramente. E é aí que a Van se atenta a um detalhe muito importante: o sotaque mineiro da morena.
— Você está brincando que você tem um apartamento na cidade maravilhosa e nem faz proveito dele o ano inteiro? — Van finge estar indignada com a descoberta, enquanto Taissa digita a senha da porta de sua casa.
— Algo me diz que hoje a gente vai aproveitar bastante… — Taissa dá uma piscadinha para Van enquanto abre a porta. — Lar doce lar. — Ela anuncia, chamando a ruiva para entrar.
Sinceramente, Van não passa muito tempo se atentando a decoração do espaço ou a iluminação. Assim que a porta se fecha atrás dela, ela gruda os lábios no pescoço da Taissa, algo que ela estava ansiosa para fazer há muito tempo. E, meu deus, é ainda melhor do que ela tinha imaginado.
Pele de pêssego é pouco para descrever a maciez da Taissa.
Van começa com beijos suaves, testando a área, dando a Taissa a oportunidade de tirar ela dali se não estiver confortável. Mas, não é o que acontece, na verdade, Taissa soa muito interessada na atenção que a Van dá ao seu pescoço, rapidinho e ela passa começa a soar ofegante. O coração definitivamente acelerou e Van consegue sentir isso quando ela deixa um beijo carinhoso em cima do ponto que pulsa no pescoço da Taissa.
Van se move de forma delicada, experimentando a pele da Taissa com todo cuidado. A única parte que ela não consegue controlar, são as mãos bem posicionadas na cintura da Taissa, agarrando a pele exposta entre a mini saia e sua blusa. Não tem como não grudar ali com vontade.
Quando Taissa joga a cabeça para trás, permitindo a Van mais acesso ao seu pescoço, a ruiva enxerga isso como um convite e passa a chupar a pele macia. Beijos molhados, seus dentes acariciando levemente, nada para machucar, só para sentir mais e mais e mais.
A ruiva não consegue conter um sorriso de satisfação quando Taissa deixa escapar um gemido baixo.
— Eu consigo sentir você rindo. — Taissa fala casualmente, como se as duas não estivessem se perdendo já na ideia de explorar uma a outra.
Van levanta a cabeça só o suficiente para encontrar os olhos cor de chocolate. O sorriso de canto se mantém no seu lábio.
— Você é inacreditável. — É a única coisa que Van consegue expressar. Sua mente definitivamente está pensando em centenas de outros adjetivos que podem descrever essa mulher tão bem.
— Eu queria te ter aqui desde a primeira vez que te avistei no samba. — Taissa move alguns fios de cabelos ruivos para trás da orelha da Van e mantém sua mão ali, acariciando a orelhinha dela. Como ela consegue dizer coisas românticas de forma tão casual? Nem parece ser grande coisa quando ela usa esse tom de voz.
— Por favor, eu sou toda tua. — Van se entrega completamente ao momento. Não tem porque fingir costume. Ela quer está aqui e ela quer a Taissa mais que tudo. Chega de joguinhos ou flertes simples. Por bem ou por mal, a cabecinha emocionada de Van já sabe que qualquer coisa que saia dessa noite vai perdurar. Taissa vai seguir na sua mente por muitas noites à frente.
— É isso que eu queria ouvir. — Taissa deixa um beijo na bochecha de Van e a ruiva fecha o olho, focando na sensação dos lábios marrons tocando sua pele. “Vem.” Taissa termina dizendo e guia Van para o quarto.
Logo que a ruiva passa pela porta do quarto, ela sente o cheiro da Taissa inundando seu corpo. É mais intenso aqui e faz sentido, se os pertences pessoais da morena estão todos aqui, então está tudo perfumado igual ela. É delicioso.
Taissa beija a Van com vontade, ela com certeza está mais determinada e desinibida que antes e vai guiando ambos os corpos até a cama, tudo sem colocar distância entre seus lábios.
Van consegue sentir o calor crescendo no meio de suas pernas.
Taissa mantém o beijo intenso, sua língua desbravando a boca da Van com tanta familiaridade que é quase difícil de acreditar que elas nunca tinham se encontrado antes de hoje. A morena já aprendeu direitinho o jeito que Van gosta de beijar, porque é igual ao dela. Não tem mistério aqui, apenas química na sua forma mais pura.
O gemido alto que Van deixa dentro da boca da Taissa poderia ser vergonhoso, mas só excita a morena ainda mais.
Taissa crava seus joelhos na cama, se posicionando em cima do corpo da Van e não dando a ela a mínima chance de escapar. Não que existisse alguma chance de Van querer sair dali.
Taissa começa a rebolar instintivamente, o beijo sendo o ponta pé inicial, simplesmente o isqueiro que ligou a chama percorrendo ao longo de todo seu corpo. Rapidamente, Van pressiona ambas as mãos nas coxas de Taissa, incentivando ela a continuar o movimento gostoso.
— Tira? — Van acena para a blusa de Taissa, quando elas se separam por alguns segundos para recuperar o ar nos pulmões.
A morena responde positivamente e se movimenta para tirar a peça de cima. Van agradece a todos os deuses do mundo quando ela percebe que a Taissa não tá usando sutiã, o peito nu totalmente exposto na sua frente. Talvez seja sim o melhor dia da vida dela.
Van se apoia nos seus cotovelos, pronta para deixar um beijo sob o seio de Taissa, mas a morena coloca uma mão na testa da Van antes que ela possa se aproximar, interrompendo sua ação. Van faz uma expressão confusa, mas logo Taissa esclarece:
— Tira a sua também. — Ela manda.
— Com todo prazer. — Van responde, não conseguindo esconder sua alegria e no segundo seguinte puxando a camiseta para fora de seu próprio corpo.
O olhar da Taissa é sedento. Ela é loba de marca maior, até Alcione sentiria orgulho.
Os próximos beijos são calorosos e molhados. Mãos famintas percorrendo a pele uma da outra. Van até tenta inverter as posições, mas Taissa custa a deixar o controle sair da sua alçada. Tudo bem, Van nem faz tanta questão assim.
Quando Taissa sente as pontas dos dedos de Van brincando com o fecho da sua saia, a morena se lembra do que ela estava desejando.
— Peraí. — Ela sai de cima da Van. — Eu vou te mostrar um negócio e você só diz que sim ou não, beleza?
A morena se levanta para procurar alguma coisa no seu gaveteiro, no outro canto do quarto e Van a assiste completamente confusa. A ruiva não fala um ai, porque ainda não conseguiu entender para onde isso está indo, mas ela não quer arriscar dizer algo errado.
— Cê pode dizer que não de boas, eu juro que não me importo. — Taissa se vira e Van consegue ver o objeto que ela segura em mãos finalmente. — É só uma ideia, sem pressão.
Van consegue perceber que Taissa está tentando conter sua animação, mas o jeitinho que o olho dela brilha já a entrega.
— Com certeza sim. — É tudo que Van consegue dizer, o sorriso de orelha a orelha parece crescer a cada segundo.
— Você quer usar? Ou talvez eu—
— Eu prefiro, na verdade. — Van responde rapidamente, engolindo seco. A ideia de deixar a Taissa usar o objeto desperta nela um profundo senso de estranhamento. Não tem nada a ver com a Taissa em si, é só que Van descobriu há muito tempo atrás que ela prefere ser a pessoa no controle neste cenário.
— Tá bem. — O sorriso de canto da Taissa faz a Van perceber que a morena também está satisfeita com a combinação. Mais uma coisa que as torna compatíveis então.
— Tem algum banheiro que eu possa me trocar? — Van pergunta ao se levantar da cama.
— Deixa disso, eu quero ver essa parte também. — A sinceridade de Taissa faz Van se arrepiar. A ruiva tem certeza que nunca conheceu alguém tão confiante antes. Uma mulher que sabe o que quer e do que gosta tem seu valor.
Bom, Van apenas concorda e começa a se despir ali mesmo, Taissa senta na beirada da cama e assiste a cena com atenção. Quando Van finalmente fica nua, Taissa tenta ao máximo não encarar sua intimidade, mas é mais forte do que ela.
A morena entrega o cintaralho nas mãos da Van e o mais interessante é que Van não se sente incomodada com o olhar de Taissa sob seu corpo. Na verdade, isso apenas a excita ainda mais.
Van já fez isso diversas vezes antes, ela não treme, nem erra. Cada movimento é assertivo e quando o cintaralho está bem posicionado, Van percebe que a Taissa está mordendo seu lábio inferior.
— Belíssima. — Taissa elogia.
— Como você prefere? — Van pergunta com sinceridade, animada com a ideia de servir Taissa do jeito que ela mais gosta.
— Deita na cama. — Taissa avisa e o tom dela soa tão carinhoso que até desconcentra Van por um segundo. Ela não devia se sentir tão próxima de uma desconhecida.
De qualquer forma, Van se posiciona na cama, totalmente deitada e Taissa sobe em seu colo, um joelho em cada lado do quadril de Van, mas sem fazer contato próprio com o dildo. Ainda não, pelo menos.
Van já percebeu que Taissa tem alguma questão com controle e que ela, definitivamente, prefere ficar por cima. Não é um problema, é apenas algo que a ruiva observou e guardou a informação em sua mente.
Elas se beijam mais algumas vezes e toda euforia anterior retorna aos seus corpos, as duas sentindo mais calor a cada segundo.
Quando a morena segura o pulso de Van e direciona sua mão para o meio de suas pernas, a ruiva apenas deixa acontecer.
É quando Van sente o calor e o quão molhada Taissa está, que a sua ficha cai. Ela realmente está transando com a mulher mais bonita que ela já conheceu. Não apenas isso, mas Taissa parece ser a mulher dos seus sonhos, todos seus desejos alinhados com os de Van.
Talvez Van morreu e foi para o paraíso, talvez Taissa seja um grande sonho, um teste divino, uma recompensa por algum bem que Van deve ter feito e já esquecido sobre. É tudo demais.
Van tenta tocar Taissa com delicadeza, explorando-a com calma, mas o tesão acaba falando mais alto, de ambas as partes.
Quando o dedo de Van desliza com facilidade dentro de Taissa, as duas mulheres soltam um gemido sincronizado. Van nunca sentiu nada mais gostoso no mundo. Taissa estava querendo esse toque há muito tempo.
Van faz movimentos de entra e sai algumas vezes, antes de adicionar um segundo dedo. E, em seguida, um terceiro. Taissa vai acolhendo tudo que Van a oferece com prazer e sagacidade. Seu corpo abraçando os dedos de Van como se ali fosse a casa deles.
Van passa a curvar seus dedos dentro de Taissa, atingindo aquele ponto perfeito que arranca gemidos altos da morena. Não demora muito, até Taissa sentir o controle saindo de seu corpo e é óbvio que ela não vai permitir que isso ocorra de maneira fácil.
Taissa corta o beijo caloroso, determinada a cortar as ondas de prazeres que estão se acumulando no meio de suas pernas. O alívio quase querendo atingir, mas ainda não está na hora. Não foi assim que Taissa planejou.
A morena está ofegante, Van quase se acostumando com os sons espontâneos que saem de seus lábios. Porém, Taissa agarra o pulso de Van e remove a mão dela dali, de forma abrupta.
— Te machuquei? Você tá bem? O que—
— S-sim, eu to ótima. — Taissa precisa fazer uma pausa para recuperar o fôlego. — Eu só não queria gozar assim, ainda não.
A morena explica e o suspiro de alívio que Van solta é profundo. Graças a deus não foi nada demais, a ruiva se assustou por nada.
Van assiste enquanto Taissa se posiciona alguns centímetros mais para baixo, deixando sua entrada alinhada com a ponta do dildo. É inexplicável, mas Van consegue quase sentir como se Taissa estivesse prestes a montar no seu próprio membro.
E é o que ela faz.
Delicadamente, Tai fecha seus olhos e move o dildo no meio das suas pernas, descendo devagarinho, enquanto sente seu corpo abraçando a sensação. Van assiste tudo com atenção, soltando gemidos espontâneos e arregalando os olhos quando percebe que Taissa engoliu todo o dildo.
Elas ficam assim por alguns segundos, Taissa se acostumando com o prazer dentro dela e Van sentindo uma pressão enorme se acumulando dentro do seu próprio corpo.
Quando Taissa abre os olhos, para encarar os de Van, ela solta um riso involuntário. Em seguida, sua expressão vira luxúria pura, suas pupilas dilatam e o jeito que ela morde os lábios já é aviso o suficiente para Van saber que essa será uma noite inesquecível.
A morena não começa devagar, ela se move de maneira determinada, rebolando em cima da Van de maneira rápida e assertiva. Com certeza não é a primeira vez dela nessa posição e Van acha fascinante o domínio que ela tem enquanto está por cima.
Não demora muito até que Van mova seu quadril para cima, buscando atingir Taissa de forma ainda mais profunda, buscando uma intimidade que ela nem sabia que era possível alcançar.
Elas dançam juntas por minutos e minutos, os mamilos de Taissa durinhos encarando a Van enquanto ela mantém a postura corretíssima e seu corpo se move como se ela pertencesse à tela de cinema. Taissa é arte.
Van mantém suas mãos agarradas às coxas de Taissa, não tanto guiando seus movimentos, mas apreciando os músculos de sua perna e apertando forte o suficiente para deixar marcas. Parte de Van não acredita que isso está mesmo acontecendo e teme que caso ela solte Taissa, tudo vai desaparecer num piscar de olhos.
Quando Van sente alguns tremores nas coxas de Taissa e a respiração da morena passa a soar ainda mais desenfreada, Van sabe que o orgasmo dela está prestes a chegar.
O que deixa Van ainda mais confusa quando ela percebe que Taissa passa a se mover lentamente.
A ruiva não tem tempo de questionar, apenas sente quando Taissa se inclina um pouco mais a frente e sua mão direita encontra o meio das pernas de Van.
— Meu deus, Taissa. — Van geme o nome dela mais de uma vez.
Taissa sabe exatamente o que está fazendo. Ela massageia o clitóris de Van com movimentos circulares, enquanto segue rebolando em cima dela. Van nunca sentiu algo tão gostoso antes.
São tantos estímulos, desde a mão da Taissa, até seus olhos a encarando, seu quadril rebolando, seu peso em cima dela. Tudo é Taissa.
Não se passam dois minutos direito e Van sente as ondas de prazeres atravessando seu corpo de forma avassaladora. Ela não consegue controlar ou fingir costume, gemendo o nome de Taissa repetidas vezes como se fosse a reza mais importante do mundo.
É o melhor orgasmo da vida de Van. E parte disso é porque foi uma surpresa, era Taissa que estava quase chegando lá e do nada ela inverte os papéis? Essa mulher vai deixar Van Palmer doidinha.
Quando a ruiva para de sentir os tremores de seu orgasmo, ela retorna sua atenção a Taissa que está agora de olhos fechados e rebolando com vontade e rapidez, o dildo completamente enterrado dentro dela. Os gemidos são mais altos do que antes e Van sabe que agora ela vai chegar lá, não há mais como adiar isso.
— Deixa eu te ver gozar, Taissa, por favor… — Van súplica porque é o seu desejo mais íntimo no momento.
— V-Van.
— Eu só quero te ver, Tai-Taissa — Van geme assistindo ao espetáculo.
O pedido faz maravilhas na mente de Taissa que finalmente cede e abre mão de todo controle. Seu corpo se entrega ao prazer como se fosse a única coisa importante nesse mundo. O orgasmo a atinge de maneira intensa, seu corpo fica mole e ela precisa apoiar ambas as mãos no peito de Van, evitando colapsar inteiramente em cima da ruiva.
— Meu deus eu estava pensando nisso a dias. — É Van que corta o silêncio após alguns minutos. Taissa se encontra completamente deitada em cima da ruiva, com seu rosto enterrado no pescoço cheio de sardinhas.
— Nisso, o que? — Taissa questiona, mas sem levantar a cabeça. Van consegue sentir a respiração quente dela contra sua própria pele.
— Você, exatamente assim… Comigo. — Van não se importa se é algo patético demais para confessar depois da primeira transa, é a verdade.
Taissa apenas faz um som de concordância, seu corpo ainda está muito relaxado e sua mente provavelmente vazia demais para processar novas palavras.
Van usa o momento como oportunidade para inverter posições, em um movimento suave ela deita Taissa na cama e se coloca por cima dela. A morena abre um sorriso preguiçoso quando encara os olhos azuis de Van.
— Se sentindo bem? — A voz de Van não é mais alta que um sussurro.
— Muito. — Tai responde e faz um carinho na bochecha esquerda de Van, passando bem longe das cicatrizes. Ela é inteligente o suficiente para saber que alguns limites devem ser respeitados, mesmo sem que nada seja dito em palavras.
Van se sente confortável com o toque de Taissa, é caloroso e até um pouco afetuoso. Amanhã quando Van estiver relembrando esse momento ela vai se autocriticar por enxergar afeto em uma pessoa que acabou de conhecer, mas isso é problema de amanhã.
Van deixa um beijo gentil no queixo de Tai e em seguida, percorre o caminho do pescoço até o peito da morena, finalmente alcançando o lugar que ela queria apreciar há tempos.
Van se move devagar, de maneira exploratória, seus lábios tocam lentamente nos mamilos durinhos de Taissa e após alguns beijos ela permite que sua língua faça contato com a pele marrom. Van chupa os seios de Taissa com sagacidade e logo logo Taissa já se encontra sem fôlego de novo. Mal se recuperou de um orgasmo e já vai se criando um novo dentro de si.
— Faz isso de novo. — Tai comanda após Van beliscar seu mamilo com os dentes (de leve). Van obedece, é claro. Ela faria isso quantas vezes fosse preciso para arrancar os sons maravilhosos dos lábios de Taissa.
E como Taissa gosta de gemer. É alto, honesto, gostoso. Nada ensaiado, tudo espontâneo. É prazer, prazer, prazer.
Quando Van não consegue mais segurar sua vontade de sentir o gosto de Taissa em sua língua e percebe que já está abusando de seus seios, que estão mais avermelhados do que deveriam, a ruiva desliza para baixo.
Taissa rapidamente abre as pernas para que Van se posicione confortavelmente dentre elas.
A morena tenta manter sua atenção e seus olhos focados na ruiva, mas assim que a boca de Van toca em sua intimidade, Taissa passa a ver estrelas flutuando em sua mente. É impossível manter os olhos abertos. Taissa se sente mergulhando num mar de emoções e são todas positivas e deliciosas.
— Misericórdia. — Taissa geme enquanto sente a língua de Van brincando diante de sua entrada. Van é boa demais nisso. Taissa não vai assumir em voz alta, mas ninguém nunca a comeu tão bem antes (ainda mais de primeira, sem ela precisar treinar a pessoa). Van nasceu para isso (para ela).
Van chupa, engole, beija, circula, dança e dança e dança e faz uma festa acontecer no meio das coxas de Taissa. Quando o orgasmo a atinge, pela segunda vez nessa noite, Taissa segura fortemente nos lençois com medo de machucar Van caso ela optasse por segurar no cabelo da ruiva. Taissa só precisa de algo para se apoiar, desesperadamente.
Van sente todos os seus tremores e se delicia com os sons da morena. E só porque ela pode, Van deixa mordidinhas na parte interna da coxa de Taissa. É muito tentador para não fazer.
— Van. — Taissa chama por ela, todos os sons de sua boca soando como gemidos a essa altura.
Van se move até estar cara a cara com Taissa de novo, um sorriso bobo que não vai sair de seus lábios tão cedo a acompanhando.
— Me chamou? — Van encosta sua testa na de Taissa, sentindo a respiração ainda ofegante da morena direto no seu rosto.
— Me beija. — Mesmo nessa posição, onde Taissa se encontra tão frágil e relaxada, ela ainda soa mandona.
Van obedece com gosto e deixa Taissa experimentar seu próprio sabor em seus lábios.
Os beijos são calmos, Taissa lidera o ritmo da dança e ela não está com pressa para passar para a próxima fase. Porém, os quadris de Van passam a se mexer involuntariamente, o meio de suas pernas roçando na coxa de Taissa que está inclinada na posição perfeita.
Van segue o beijo lento de Taissa, enquanto a outra metade de seu corpo aciona outro ritmo, muito mais acelerado, denunciando todo o tesão que ainda habita dentro dela.
Taissa precisa separar o beijo porque ela não consegue segurar a risada.
— Que foi? — Van soa confusa e ofegante.
— Cê é exatamente como eu imaginava.
— Como? — Van está perdidinha, do que a Taissa está falando?
— Fácil. — O sorriso de Taissa cresce mais ainda e o som de sua risada enche o coração da Van com algo que tem a cor amarela, mas ela ainda não sabe nomear.
— Você deu em cima de mim porque quis, mulher. — Van tenta acusar Taissa, mas também acaba caindo na risada.
Apesar da provocação, é gostoso saber que Taissa estava querendo isso tanto quanto ela. Melhor ainda, que Taissa imaginava como seria estar com ela, Van fazia o mesmo e é um alívio a certeza de que ela não estava sozinha em sua loucura.
Não demora muito para a morena sugerir continuar a brincadeira no banho ou ligar o ar condicionado, a temperatura não para de subir nessa cama. Van opta pelo banheiro.
Só de imaginar a pele marrom e sedosa toda molhada embaixo do chuveiro, Van já fica com água na boca.
Esse ano o Carnaval começou mais cedo.
