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A Guerra entre os Uchihas e Senjus havia finalmente chegado ao fim e um acordo de paz fora feito entre os dois Clãs pelos dois atuais líderes: Madara Uchiha e Hashirama Senju.
Juntos, os amigos de infância criaram Konohagakure, um símbolo de união entre os povos. Os dois sabiam que as coisas não seriam fáceis e o ódio que ambos os lados carregaram por gerações não seria apagado de uma hora para outra. Especialmente após a quase morte de Izuna, irmão de Madara, pelas mãos de Tobirama, irmão de Hashirama.
Claro que nem turo era uma maravilha, a criação da Vila Oculta da Folha não apagou inimizades, mas lentamente ambos os lados iam descobrindo mais sobre o outro. Coisas que jamais pensariam que seus antigos inimigos poderiam fazer. Tudo estava saindo bem, pelo menos em algumas partes e com algumas pessoas.
Infelizmente, Madara não estava muito bem, por mais que quisesse esconder isso. Seu povo, sua família, seu Clã parecia ainda desconfiar de suas intenções e alguns membros dos Uchihas tinham medo que em algum momento ele fosse se rebelar e acabar com a paz recém-conquistada. Alguns pareciam até contar com isso, apenas para provarem estarem certos e que o homem era uma fúria incontrolável que jamais saberia o que era paz, pois a única coisa que conhecia eram lutas e guerras.
Talvez não estivessem totalmente errados e Madara se encontrava a beira de um colapso e travando uma dura batalha contra si próprio. Por sorte, havia alguém que o conhecia muito bem a ponto de saber o que acontecia com o outro sem que precisasse expressar em palavras.
Apesar de todo o trabalho que Hashirama tinha para dar aos aliados, shinobis e civis de Konoha melhores condições de vida, ainda encontrava tempo para caminhar pela densa floresta nos arredores de Konoha. Havia sido escolhido como Shodai Hokage, mesmo que tivesse insistido para o amigo assumir a posição. O Senju nunca quis aquela posição, mas não teve escolha.
Então, quando conseguia uma folga, ou conseguia esquivar-se do irmão, que era quase impossível dada a sua habilidade sensorial, aproveita a calma e a serenidade que a floresta lhe proporcionava. Naquele dia, arranjou uma brecha graças a Izuna e Hashirama tinha uma leve desconfiança que havia algo a mais entre os mais novos além da rivalidade explicita. Agradeceria à Izuna por convencer Tobirama a deixá-lo partir, especialmente porque o rapaz também estava preocupado com o irmão.
Embora o dia estivesse tranquilo e calmo, Hashirama sentia o coração pesado toda vez que pensava em seu amigo de longa data, sabia o quanto ele estava sofrendo e lutando uma batalha interna, que a cada segundo sentia que perdia um pouco e se afundava cada vez mais nas trevas.
Hashirama e Madara sempre foram conhecidos por suas rivalidades e confrontos intensos, dando a todos uma amostra de seus poderes e habilidades, mas também eram conhecidos por sua profunda amizade. Os dois atuais líderes dos seus Clãs haviam compartilhado muitas experiencias ao longo dos anos.
O Uchiha sempre foi mais recluso e quase não compartilhava sentimentos e emoções com o Senju, acreditava que aquilo lhe deixaria fraco e que usariam aquilo contra ele. Madara sempre sonhou em liderar seu Clã para alcançar uma posição de poder e prestígios inigualáveis. No entanto, a medida que a Vila da Folha começou a crescer, começou a enfrentar uma série de desafios que estavam o levando a beira da loucura.
O líder dos Uchihas, apesar de ser fundador de Konoha ao lado do amigo e rival, rapidamente percebeu que a com a criação da Vila, o poder e a influência do seu clã estavam sendo diluídos. Ele se viu cada vez mais marginalizados nas decisões importantes da Vila, enquanto os Senju ganhavam mais destaque e respeito e não importava o quanto Hashirama tentasse reverter aquilo, o medo e o receio estavam estampados na face de cada um dos demais conselheiros e líderes de outros Clãs. Até mesmo Tobirama, para sua surpresa, tentava acalmar os ânimos, tanto que havia deixado para os Uchihas a função de policiar e proteger todos os cidadãos da Aldeia da Folha.
Essa exclusão, esse afastamento serviu como alimento para o rancor d Madara, que sentia que seu próprio Clã o estava abandonando e mesmo que a liderança do Clã fosse sua por direito, questionavam sua autoridade e sua sanidade. Havia assinado o acordo de paz, não queria mais guerra, mas não esperava que seus companheiros fosse se submeter aos ideais de paz tão facilmente e quase de olhos fechados e cooperariam com os Senju.
Com o passar do tempo, toda aquela pressão, aquela desconfiança começaram a afetar Madara e seu Sharingan, o doujutsu lendário dos Uchihas que ameaçava qualquer um que cruzassem seus caminhos, começou a se manifestar de maneira descontrolada. A poderosa técnica que concedia visão avançada e habilidades de genjutsu capazes de subjugar qualquer inimigo estava se tornando cada vez mais difícil de controlar. Na mente de Madara, diversas vezes vinha Tobirama dizendo que aquilo uma hora aconteceria, que o Uchiha seria dominado pelo ódio e a terrível Maldição do Ódio se sobreporia a paz acordada com Hashirama. As ilusões do Sharingan começaram a se misturar com a realidade, atormentando-o dia e noite.
Essa deterioração mental e emocional levou Madara a uma espiral crescente de raiva e ressentimento.
Raiva por ter conhecido Hashirama quando criança.
Raiva por seu pai os contaminar com seu ódio infundado, herdado de muitas gerações atrás.
Raiva de si por nunca conseguir superar Hashirama.
Raiva de Tobirama por quase lhe tirar a única pessoa que ainda estava do seu lado.
Raiva dos moradores e do Clã por sempre o olharem com medo.
Raiva pôr o olharem como se fosse louco.
Com todo esse sentimento crescendo e sendo alimentado por paranoias, começou a proferir ameaças e injurias contra seu Clã, acusando-o de traição e fraqueza. Madara sentia que sua visão e potencial estavam sendo desperdiçados em Konoha e se tornou obcecado em provar seu valor aos Uchihas e aos demais.
Provaria a todos que era um “deus shinobi” tanto ou maior que Hashirama.
Os membros do Clã se sentiam cada vez mais ameaçados pela violência e instabilidade crescente de Madara, que serviu apenas para alimentar uma inquietação interna, onde alguns poucos ainda não aceitavam aquela união entre os Clãs inimigos. Enquanto isso, o Uchiha tentava recuperar o controle sobre seu Sharingan, acreditando a cada do que se passava que apenas sua ascensão ao poder protegeria e fortaleceria os Uchihas dentro e fora dos muros de Konoha.
No entanto, seus apelos foram recebidos com cautela e resignação pelos demais, que temiam consequências catastróficas se seguissem o caminho sugerido por Madara, até mesmo aqueles que pensavam de maneira parecida se abstiveram. E em vez de aceitar o que foi proposto, buscaram outras soluções para a situação dentro do próprio Clã, pelas costas de Madara.
Vendo que todos estavam contra si e não querendo buscar ajuda do amigo, foi forçado a confrontar a realidade, que sua ambição desmedida estava corroendo seu ser, queimando-o de dentro para fora. Entendia que precisava deixar de lado o ódio e a raiva, mas não sabia como.
Para sua sorte, Hashirama não estava tão alheio a sua situação quanto imaginava. Via que seu amigo estava definhando, evitando contato, se afundando em uma escuridão da qual começava a pensar que não conseguiria.
Enquanto o Senju seguia até o rio que havia na floresta, foi interceptado pelo jovem Kagami, que parecia afobado.
— Hokage-sama — chamou o Uchiha, ofegante pela corrida que fizera.
Hashirama murchou diante de tanta formalidade, não gostava de toda aquela popa que o Conselho da Vila obrigava que todos o tratassem.
— Apenas Hashirama, por favor — pediu o Senju.
— Hoka… Hashirama-san, estou preocupado com Madara-nii — o mais velho sorriu com a forma que o amigo fora chamado. — Ele desapareceu, ninguém o vê há alguns dias e estão com medo dele fazer alguma besteira. Sabe como ele anda… instável — apesar da pouca idade, Kagami era perceptivo e astuto, sabia ler as pessoas como poucos.
— Sabe me dizer para onde ele foi? — pediu Hashirama.
— Para a cadeia de montanhas, onde tem diversas cavernas. — informou Kagami.
— Obrigado e fique aqui e por favor, não diga a ninguém onde fui. Sei que é pedir muito, mas quanto menos pessoas estiverem por perto, melhor. — declarou o Senju.
— Madara-nii vai ficar bem? Vai trazer ele de volta?
— Ele ficará bem e o trarei em segurança para a Vila. É uma promessa! — Hashirama não esperou uma resposta e desapareceu entre as árvores, se concentrando para poder encontrar Madara quanto antes. Apesar da prometa feita à Kagami, tinha medo de ser tarde demais, de ter perdido o amigo antes de poder dizer o que realmente sentia.
Hashirama saltava entre os galhos com precisão e rapidez, preocupado com o destino do amigo. Uma parte de si esperava encontrar Madara talvez um pouco alterado, mas outra parte sua dizia que precisaria usar todas suas habilidades e que mais uma vez lutaria contra o outro utilizando todas suas habilidades. Só de pensar que precisaria de todo seu arsenal em mais uma luta o preocupava. Esperava não precisar seu domínio supremo do Mokuton, seus poderes extraordinários de cura e muito menos o Modo Sábio. Não deveria ser ingenuo, se as coisas saíssem do controle, teria que parar de Madara, de qualquer maneira.
Após uma longa busca nas montanhas, finalmente encontrou o Uchiha em uma caverna escura e sombria. Aquele que era símbolo de força e poder estava caído no chão, enfraquecido e a beira da loucura. O Sharingan brilhava num formato completamente novo para o Senju, que imaginava que aquele fosse o Mangekyou que havia dito em uma das conversas que tiveram, o símbolo do seu poder, apesar de girar sem parar, estavam opacos e sem vida.
— Madara — Hashirama o chamou com a voz calma. — Estou aqui.
— Não! Você não é real! — bradou Madara.
— Eu sou real e vim te ajudar — continuou o Senju.
— Você está aqui para me impedir, para parar minha evolução, para me conter. Você quer me manipular ao seu bel-prazer — acusou o Uchiha.
— Nunca, Mada. Quero te ajudar, só isso, mesmo sabendo que não precisa mim. Mas eu me importo com você, é meu amigo e…
— E o quê? Um brinquedo? Tem medo de mim e do que posso me tornar. Tem medo que um dia eu te supere. Mas eu controlarei meu Mangekyou, aprenderei tudo o que preciso e então, me tornarei um deus!
— Você já é um deus, Madara. Para mim você é insuperável. É incrível, eu te admiro tanto. — Hashirama se aproximou um pouco mais de Madara e com cuidado, retirou os fios rebeldes que cobriam uma parte do rosto do Uchiha.
O Uchiha não acreditando totalmente no Senju, o atacou com força, fazendo com que Hashirama fosse para do lado de fora da caverna. A força do ataque inesperado, criou uma clareira, devastando tudo ao redor. Enquanto se levantava, viu o amigo se aproximar, o Sharingan girando sem parar, a aura ameaçadora e intenção de matar tão intensas que chegava a sufocá-lo.
Os dois lendários shinobis se encontravam no que se tornaria um campo de batalha devastado, prestes a relembrar os tempos em que eram inimigos mortais.
Madara se encontrava em um estado alterado, cheio de raiva e desconfiança, incapaz de acreditar que Hashirama queria mesmo ajudá-lo. Não deixando outra opção ao Senju a não ser se defender e atacar com tudo que tinha, mas ainda buscava brechas para trazer a lucidez ao amigo. Não o perderia para a escuridão novamente.
O ambiente, antes devastado, se transforma novamente em uma densa floresta, com árvores gigantescas surgindo do solo com raízes sinuosas sobrinho toda a paisagem, aquela era apenas uma pequena amostra do poder de Hashirama. Madara, com seu Sharingan ativado, lança ataques devastadores contra seu rival, determinado a reduzir o Senju ao pó.
Hashirama, no entanto, não se deixa abater e libera todo o poder do Mokuton que corre em suas veias, ao mesmo tempo que convoca a força da natureza e canaliza a energia para o Modo Sábio, tornando-se um verdadeiro Titã de madeira. Cada ataque do Uchiha era bloqueado pela floresta que defendia o Senju e ele contra-atacava usando uma técnica chamada “Cedro Sagrado: Dança das Flores”, que lança lâminas de madeira afiadas na direção de Madara.
Conforme a batalha se intensiva, de alguma forma, Madara começa a recobrar sua lucidez e perceber o que está fazendo. Ele nota que Hashirama está genuinamente preocupado com ele e apesar de todo poder demonstrado em batalha, não está como inimigo, mas sim como um amigo de longa data. Essa compreensão desencadeia memórias da sua amizade e respeito durante a época que construíram os alicerces que dariam origem a Vila Oculta da Folha, uma época em que o próprio Uchiha notou que seus sentimentos pelo Senju ultrapassavam a amizade e o respeito.
Os ataques do Uchiha hesita e, finalmente, cessa o combate. Em seguia, abaixa suas defesas e olha para Hashirama e reconhece a sinceridade de suas intenções e encontra algo a mais nos olhos do outro. A raiva e a desconfiavam que o consumiam como as chamas de Amaterasu e pareciam nunca ter fim, desaparecem gradualmente e percebe que o usuário do Mokuton sempre o viu além das rivalidades, além da amizade, o via com o coração, com amor.
Ambos abaixam suas guardas e se encaram, respirações pesadas, roupas bagunçadas e machucados que em um deles sumiam como se nunca se tivessem existido. Em seus olhares não há inimizade, apenas dois homens que compartilharam uma jornada única e intensa. Madara sente um onda de emoções que julgava impossível de sentir, reconhecendo que o amor que existe entre eles está além de qualquer rixa ou desavença passada, ou atual. Que nada, nem ninguém é capaz de separá-los.
O Uchiha sente-se fraco e suas pernas cedem, mas antes que possa atingir o chão, sente os braços fortes do Senju o segurando e ambos sentam no chão, abraçados. A lembrança daquela última batalha feroz permanecera em suas mentes, mas os laços que os unem agora estão mais fortes que nunca. Querem deixar o passado para trás e seguirem adiante, juntos, como amigos, aliados, companheiros no sentindo mais íntimo da palavra.
Madara consegue reunir coragem o suficiente para olhar para Hashirama, seus olhos, sem o Sharingan ativo, demonstram tristeza e resignação.
— Estou aqui, para o que precisar — declarou o Senju, escovando carinhosa as mechas rebeldes do outro.
— Hashirama… eu não mereço a sua ajuda — admitiu Madara com uma voz carregada de amargura. — Fiz escolhas terríveis e me entreguei à escuridão. Não há esperança para mim. Me deixe naquela caverna, diga a todos que fugi, que abandonei tudo o que construímos.
Hashirama se aproximou e colocou uma mão na nuca de Madara, o mantendo no lugar, enquanto olhava nas orbes negras como a noite, que o faziam se perder sem o menor esforço.
— Você não está sozinho, estarei sempre ao seu lado, já falei. Acredito que, mesmo nas trevas mais profanas, sempre há uma luz a ser encontrada. Não desistirei de você. E sabe por quê?
Antes que Madara pudesse responder algo, com uma expressão determinada, o Senju usou seu Mokuton para manipular a energia da natureza e criar uma aura de árvores ao redor dos dois. A energia vital e curativa das plantas começou fluir em direção ao corpo enfraquecido do Uchiha, ajudando-o a recuperar suas forças.
Enquanto a cura continuava, Madara sentiu uma chama se ascender dentro de si, quase sorriu ao pensar que era a “Vontade do Fogo” como o Senju costumava dizer. Lembrou dos momentos felizes que compartilhou com Hashirama na infância, jogando pedras no rio, das lutas conjuntas pela paz e da importância de seus laços com as pessoas ao seu redor.
Lentamente, o poder do Sharingan de Madara reacendia, mas dessa vez sem toda aquela raiva o controlando, mostrando uma nova perspectiva. Percebeu que a escuridão não precisava dominá-lo e que Hashirama era um raio de esperança em sua vida tumultuada.
Hashirama sorriu abertamente quando terminou de curar Madara, feliz por ter o deixado ajudá-lo. Sabia que o futuro deles seria desafiador, mas tinha esperança de que juntos poderiam superar obstáculo.
O Senju se perdeu nas esferas negras que era os olhos de Madara por alguns instantes, fazendo com o Uchiha ficasse um pouco corado ao ser observado tão intensamente.
— Sabe porque fiz tudo isso, Madara? Por que não estava disposto a sacrificar qualquer coisa para te manter aqui? — perguntou.
— Porque é um bom amigo — respondeu o Uchiha baixo.
— Não… Digo, sim, mas não apenas por isso — se atrapalhou um pouco nas palavras. — É que… bem, eu… você é…
— Fale logo, idiota! — bradou Madara impaciente.
— Porque eu te amo e não suportaria te perder, não suportaria te ver se afundar nas trevas e longe daqui, longe de mim — declarou Hashirama de uma vez, deixando o outro sem palavras.
Aproveitando o momento de surpresa de Madara, o Senju selou os lábios do Uchiha, que precisou de alguns segundos para assimilar o que estava acontecendo para enfim, retribuir o gesto.
Quando se afastaram, Madara se aconchegou no peito de Hashirama, que se ajeitou melhor, escorando em uma árvore que criou enquanto curava o outro e permaneceram ali. Na mente do Uchiha, sabia que ão importava o que viria a seguir, o que precisaria enfrentar, seja do Conselho de Konoha, do seu próprio Clã, se ele tivesse o Senju ao seu lado, o ajudando a se erguer das cinzas, tudo ficaria bem.
